terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Beautiful Exercise


120 quilos de cada lado. Puxa com toda a força que lhe resta. Solta lentamente. Os músculos berram em protestos, tremem de bêbados. De novo. E de novo. E de novo. Então pára, um minuto, para descansar. O torpor se arrasta e te pega de surpresa. A sensação é indescritível.
Academia.

O ar era abafado, quente. Quase claustrofóbico; culpa das dezenas de pessoas que corriam, pedalavam e transpiravam. As conversas, os fones nos ouvidos. O barulho dos ventiladores ligados na potência máxima, as conversas e a música eletrônica que ressoava nos aparelhos de som fundiam-se em uma maravilhosa confusão acústica. E os sons, harmônicos com os movimentos, todos perfeitamente sincronizados. Dançavam. E não sabiam disso.

De volta ao exercício. Puxar, soltar. Um, dois, três, quatro, cinco, seis. E continua. A contagem rotineira, já não era necessário pensar. Sete, oito, nove, dez. Descansa. Observa. Continua.

Não demorava muito e o cérebro logo deixava a maravilhosa endorfina escorrer pelo sangue. A sensação boa de que você é invencível. Nada de dor. E o esforço continuava. Cada um daqueles corpos cheios de músculos que berravam e tremiam possuíam seus motivos. Maltratavam a si mesmos e erguiam pesos, procurando... o quê? A beleza perfeita, ou o simples prazer pelo exercício, o calor que subia pelo corpo inteiro até chegar ao rosto? Ou talvez os dois?

O lugar parecia pequeno demais para concentrar tantas pessoas juntas. As garrafas d’água depositadas no chão também transpiravam, deixando pequenas poças ao chão. Os instrutores brincavam com os treinados, cada qual com sua própria toalha, secando o rosto que vomitava química e calor.

Para alguns, talvez fosse nojento. O ambiente compartilhado com tantas pessoas diferentes, e o ar pesado, o cheiro de suor. Incrivelmente, no entanto, havia algo belo, viciante e saboroso em tudo aquilo. Talvez fosse feito da endorfina, ou talvez fosse apenas a visão de quem sabia do que estava falando.

A dor do dia seguinte era boa. Valia a pena. Um lugar perfeito para a escapatória, para calar o vício ou até mesmo para tentar paquerar desconhecidos que enchiam os músculos.

Passado o minuto, hora de voltar ao trabalho. 120 quilos. Puxa com toda a força. Solta lentamente. Os músculos tremem, esquentam. Um sorriso aparece nos lábios. Um, dois, três.

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