sábado, 19 de fevereiro de 2011

Numbness

"Fundo do poço" talvez não fosse um nome apropriado o bastante. Contudo, minha mente falha em encontrar um termo que descreva melhor para explicar a situação. Garrafas incontáveis, jogadas ao esquecimento, quebradas; os cacos cobriam as ruas pelas quais ela andava descalça, os sapatos de salto pendurados em uma mão. Maquiagem borrada, pernas trançadas, a visão de uma festa que durara a noite toda. Mais uma. Os bolsos vazios, o dinheiro trocado por mais e mais copos de álcool, cigarros, drogas e camisinhas. Vivia para o hoje, não dando a menor atenção ao amanhã. Inconsequente. Voltava para uma casa vazia, gelada, escura. Dormia no chão. Perdia-se entre a sujeira, sempre cansada demais para limpar a casa. Sentia necessidade em roubar e humilhar-se por dinheiro, apenas para gastar tudo no mesmo dia, na mesma noite. Cometia cada um dos sete pecados capitais por dia, ignorando a chegada cada vez mais próxima do inferno iminente. A vida era atraente. O anjinho que vivera em seu ombro se fora, e quem dominava era o pequeno diabo. Constantemente bêbada ou chapada, esquecera o que era sentir. Apenas vivia, uma concha vazia, robótica. O fim do mundo se aproximava, mas quem dava a mínima? Não valia a pena. Cada dia em um lugar diferente, com pessoas diferentes, dividindo camas, copos, drogas. Todos os dias acordava e corria ao banheiro vomitar todo o álcool da noite anterior, apenas preparando-se para a noite seguinte. Chorava todas as manhãs, sem nem mesmo saber o porquê das lágrimas. 
Um corpo sem alma, vivendo para a vida sem emoções.

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