Um, dois, três. O choro de uma criança. O luto. O silêncio profundo, forçava os tímpanos. O balançar ininterrupto, para frente, para trás, de volta para frente. A fixação. Os resmungos. O som de um crânio rachando em contato com a parede. As risadas incontroláveis. O medo, o ódio. A escuridão interna.
Sangue jorrava de seus olhos. Uma, duas, três poças. Desenhos no chão, a tinta vermelha. Olhos caídos, vagos, mortos. A dor transformada em rio, o cheiro de morte. Arrepios na espinha, frio na barriga. Alucinações. Lembranças de uma vida que nunca existiu. O brilho tentador da faca, tão fora de seu alcance. O desejo, reprimido há tanto tempo.
O estopim, a última ofensa. O olhar no espelho debochava. A repugnância fervendo em seu íntimo tem sua erupção. Cacos quebrados, cacos presos na mão. Pontas afiadas cavando fundo na carne, pinicando, ardendo. Matando. O berro violento, a ruptura na garganta. O choro incontrolável, desesperado. Vozes em sua cabeça, insultos, destruidores de esperanças. Monstros no espelho, revelando a face escondida, nojenta. Solidão que doía. Fantasmas do passado, retornando para assombrar. Corações despedaçados, confiança quebradas, sobrecarga.
Um, dois, três. Gritos vindos de outras portas, silêncio sendo clamado. Perigoso. Letal. O mundo frio, pegajoso. Olhos ardentes, o alçapão aberto do inferno.
Ignorância. Sentimentos. Julgamentos. O todo em um nada, o medo de se conhecer. A força da dor.
A faca mais próxima. A hesitação inicial, tímida. O prazer iminente, os olhos desfocados, os pensamentos confusos. Múltiplas tentativas. O arrastar, tão lento. Obscena anestesia.
Soava fútil, aquela paz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário