segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Be Free


          Noite chuvosa, ruas desertas, céu escuro. Eu andava sozinha, com as mãos nos bolsos do sobretudo. Chovia forte, mas eu estava sem guarda – chuva e olhava para cima. Eu estava encharcada e continuava andando pelas ruas, mas não tinha a intenção de voltar para casa. Procurava um caminho, dentre tantos outros, para me tirar da rotina que me matava pouco a pouco por dentro, me deixando inquieta.
          Eu olhava os caminhos à minha frente, me perguntando qual deles me levaria à liberdade. Não agüentava mais ter que olhar as mesmas pessoas, sorrir dos mesmos jeitos, fazer as mesmas coisas todos os dias. Eu precisava viver de um jeito diferente, ou enlouqueceria.
          Estava ficando tarde, resolvi ir para casa. Ao ver meu reflexo no espelho, eu sorri. Vi uma pessoa encharcada, parecendo que havia tomado um banho com roupa e tudo, me encarando de volta. Eu poderia pegar um resfriado. Ótimo.
          A melhor coisa de morar sozinha era que eu já tinha minha pequena parcela de liberdade. Era uma maravilha poder ficar triste sem ter que fingir um sorriso no rosto. Poder simplesmente me deitar no chão e olhar o teto por horas, sem ninguém para me perturbar. Não ter que dar satisfações. Era uma pequena parcela do Paraíso.
          Depois de um banho, passei em frente a um espelho, novamente. Resisti à tentação de olhar o reflexo. Ignorei. Tinha coisas mais importantes em mente. Sentei-me no chão, com a televisão e o computador desligados. Na verdade, a única coisa ligada, era minha lanterna. A lanterna que eu usava para não ficar totalmente no escuro, quando queria refletir.
          Eu olhava para a parede, sem realmente vê-la, pensando em todos os caminhos que havia em minha frente, e em qual poderia levar-me à liberdade que eu tanto prezava. Tantas coisas para escolher, tantos possíveis caminhos a seguir, me deixavam insegura por uns momentos. Depois eu balancei minha cabeça. Liberdade não era brincadeira.
          Depois de horas pensando, resolvi me trocar. Subi ao meu quarto, coloquei uma roupa quente. Decidi que não ia encontrar o caminho da liberdade simplesmente sentada na sala, com as luzes apagadas, olhando para a parede. Passei em frente ao mesmo espelho, enquanto descia as escadas de minha casa.
          Dessa vez, encarei o espelho com atenção. A imagem que me encara de volta, a pessoa, tinha um brilho nos olhos, um sorriso encorajador. A pessoa piscou para mim. Arrumei meu cabelo levemente e respirei fundo. Eu sairia à procura de liberdade. Talvez não a encontrasse hoje, mas era um desafio.
          Um desafio que eu farei questão de cumprir.

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