As lágrimas caíam de meus olhos enquanto eu me lembrava de tudo. Todas as risadas, choros, torcidas. Todas as vezes que amei ou odiei um personagem.
As palavras sábias de Dumbledore, o jeito sombrio de Snape, a cara de sapa da Umbrigde, a excentricidade de Sibila Trelawney, a sede de poder de Cornélio Fudge, o heroísmo de Harry, a esperteza de Hermione, o jeito bobo de Rony, a coragem de Gina, a distração de Luna, o jeito mimado de Draco, a vilanice de Voldemort.
Tantos personagens, tantas distrações.
As lágrimas ainda transbordavam, e eu fechei o livro, desgastado de tanto ser manuseado, fechando também meus olhos, enquanto as palavras recentes ainda estavam grudadas em minha mente, junto com minha aventura com tal série, tão amada, tão odiada por tantas pessoas, passava em frente dos meus olhos, não deixando os detalhes me escaparem.
Não havia como esquecer todos estes quatro anos — quase cinco — que passei junto dos personagens. Eu fiz amigos, fiz inimigos, me irritei, fiquei feliz.
Esperei ansiosamente cada livro ser lançado, roendo as unhas para logo terminá-los e esperar os próximos. Fiquei naquelas filhas imensas de cinemas lotados, assistindo os filmes, xingando, criticando, me irritando e, logo depois, comprando os DVDs. Eu lia Spoilers na Internet, procurando qualquer mínima letra que diminuísse minha curiosidade que aumentava a cada dia que o lançamento do próximo — e último — livro se aproximava. Cheguei a imprimir cinco ou sete páginas, com relatos de “críticos” que contavam os finais que lhe vinham em mente.
E o pensamento de que passei quase cinco anos em total, não há outra palavra, vício, me é estranho. Eu quase não falava de outra coisa; carregava os livros para todo lugar, lia e lia sem parar, até ficar cansada. E isso tudo começou porque meu irmão pediu “A Ordem da Fênix” de Natal em 2003 ! E claro, depois disso, fui lendo de um em um, do primeiro ao último, comprando os meus e guardando-os para serem relidos mais e mais vezes com o passar do tempo.
Fiquei quase em depressão após a morte de meu personagem favorito, Tio Dumbie, Dumbledore ! Peguei ódio de Snape, odiei-o com todas as minhas forças. Até que — depois de unhas roídas, noites em claro e relidas da série inteira — “ Relíquias da Morte ” chegou em minhas mãos.
Oh, mas foram tantas emoções ! Minha ansiedade era tanta que terminei o livro inteiro em dois dias — dois dias de emoções fortes, de choros constantes. As verdades reveladas; as mortes de tantos personagens queridos; o último encontro com Dumbledore; o Harry sendo uma Horcrux; a morte de Dobby, meu querido elfo Dobby, sua vozinha agudo emitindo sua última frase; a guerra proclamada dentro dos muros da escola, Hogwarts sendo destruída; e, finalmente, depois de dezoito anos de perseguição, o encontro final entre Harry e Voldemort. A caída do bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos. E o epílogo; Gina e Harry, Rony e Hermione casados e levando seus filhos a Hogwarts. A volta da paz e, depois de tantos momentos maravilhosos, os melhores que podia haver entre leitores e seus livros, o fim. Tudo estava bem.
As lágrimas agora caíam mais livremente e o nó na garganta apertava cada vez mais, enquanto o buraco profundo em meu peito me lembrava cruelmente que o Fim chegara.
Em meus pensamentos, eu só agradecia J.K.Rowling. Por ter superado seus muitos desafios que quase lhe impediram de escrever e nos presentear com tal história — história que, eu posso dizer com certeza, que mudou a minha vida — que trouxa tenta alegria aos fãs, tanta raiva aos Anti - Harry Potters e tanta polêmica em todo um mundo. Agradecia por ela ter sido a mulher quem criara os personagens que se tornaram meus amigos, meus companheiros. Agradecia por ela ter criado a série de livros que foi meu primeiro portal para o mundo da leitura, meu primeiro amor por livros, que foi e ainda é, a melhor série de livros que eu já li, a que teve maior significado em minha vida.
Cobri minha cabeça com o cobertor, com os olhos abertos.
Eu estive com Harry Potter até o fim da série, e com certeza estarei com Harry Potter até o fim de meus dias, lendo outras histórias, mas sempre acompanhada de Harry e sua turma, de Dumbledore, de Snape — que revelou ser um dos homens mais corajosos — e daquela história que mudou minha vida para sempre, e me faz chorar até hoje.
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