Começou com um sonho...
Aquela enorme janela de vidro parecia servir para algo além de proporcionar uma bela visão para quem estivesse do lado de dentro de uma casa. Estava um belo dia e a luz solar invadia a casa, iluminando a sala bagunçada e a macha no tapete. Ela estava agachada ao chão, inclinada sobre a macha, retirando-a. Ao terminar, aprumou-se na madeira fria e fitou, sonhadora, o dia que despontava do lado de fora da janela. Pouco tempo depois, a porta se abriu.
Era inacreditável, mas, por mais que o visse todos os dias, algo sempre parecia diferente quando ele entrava. Encararam-se por um minuto e ele estendeu sua mão, sorrindo de um modo encorajador. Ela, contudo, sacudiu negativamente a cabeça, e, levantando-se, fechou a porta atrás dele, voltando a olhá-lo logo depois. Seu olhar dizia com todas as letras que ela tinha algo a dizer e, com outro sorriso dele, ela despejou as palavras.
— Eu me demito. — Por que sua voz parecia tão distante?
O sorriso do outro se apagou como uma lâmpada que queima; indolor e rapidamente. Foi ofuscado pelo fulgor negro que perpassou seus olhos, recheados de surpresa e decepção. Não disse nada ainda, apenas apontou a poltrona ao seu lado, deixando claro que queria que ela se sentasse. Ela não o fez de imediato, encarando-o intrigada. Por fim, sentou-se, não sabendo exatamente o que esperar daquilo.
Uma longa conversa se seguiu, rodeada de certos pedidos e sorrisos, desconforto ocasional e olhares diferenciados. Uma palavra, um olhar de decepção e uma figura levantando-se, abrindo a boca para dizer algo mais.
E o nada.
Era uma pessoa aquilo abaixo do monte de cobertores? Não podia negar que aquilo respirava. Sim, parecia uma pessoa, dormindo a sono solto. Os cobertores subiam e desciam de acordo com a respiração lenta e calma. Paz. Não por muito tempo.
Um som, mais parecido com o de uma sirene, ecoou pelo quarto vazio, e a criatura abaixo das cobertas levantou-se de súbito. O cobertor escorregou para o lado, caindo aberto ao chão, assim como um dos travesseiros em volta do qual ela passava o braço. Os olhos arregalados estavam inchados de sono e parcialmente cobertos por um emaranhado de cabelos castanhos.
Não se mexeu, não fez nenhum som. Ainda podia sentir o odor engraçado da química que usara no chão. O rosto ainda estava corado pela conversa, a boca ainda aberta, calando as palavras que nunca saíram. A mente ainda confusa, se perguntando aonde diabos ele se metera.
Ele poderia estar com fome. Cozinha.
Levantou-se.
Não. A cozinha estava completamente vazia, exceto por um gato de pêlo longo que dormia no balcão, indiferente à qualquer coisa fora de seus próprios sonhos. Ela deixou aposento e rumou para outro cômodo da casa. E mais outro. E outro. Nada. Ele simplesmente não estava ali.
Desapontada, voltou ao quarto e sentou-se na beira da cama. Talvez ela houvesse sonhado... Não! Fora real demais. Um sonho não podia deixar as marcas que este... acontecimento deixara. Era demais.
Então a única explicação era... ele simplesmente saíra. Fora embora para qualquer lugar, talvez para pensar. Ou então para comprar um presente. Logo ele estaria de volta, é claro.
Ficou em casa o resto do dia, esperando a sua aparição.
Ele não apareceu.
Por que ele a abandonara? Ficara irritado pelo pedido de demissão, ainda que não demonstrasse? Ele não podia deixá-la daquela forma!
Mais uma vez ele estava ali. Da porta, seus olhos a perseguiam, a devoravam. As velas acesas, a ausência de luz elétrica. O ritmar suave da música de fundo. Ele avançou, abrindo um sorriso recheado de segundas intenções. Antes, porém, que ele se aproximasse o suficiente para trancá-la num abraço, ela o evitou, dando um passo em direção ao espelho que descansava em sua frente.
— Achei que apenas me considerava uma amiga... nada mais.
A voz era tão ou mais suave quanto a música que continuava a proporcionar-lhes uma trilha sonora. Olhando ao espelho, ela podia ver-se e vê-lo ao seu acompanhante, outrora seu chefe. Era errado. E, ainda assim, tão certo.
— Isso não significa que eu não possa ceder aos meus instintos.
Como uma única frase conseguia ter tantos sentidos? Ela não respondeu e logo ele a abraçou, a parte da frente de seu corpo colada às costas dela. No espelho, seus olhos se encontravam, e eles começaram a se mover lentamente, acompanhando a música. A mão dele percorreu as curvas do corpo dela, escondidas abaixo do veludo negro de seu vestido. Quando ela fechou seus olhos, ele a virou para si.
Um único movimento, dois corpos subitamente entrelaçados.
Outra vez, o sol invadia sua casa. Um hóspede com hora marcada para estragar tudo. Ela xingou e se sentou. Assim que seus olhos se acostumaram com a claridade repentina, pulou da cama. Não era possível, ele não podia ter desaparecido de novo! Por que ele fazia isso? Que tipo de jogo era esse?
Um miado fez-se ouvir e ela se levantou.
Como a porta estivesse aberta, ela entrou. Talvez não o tivesse feito se as circunstâncias fossem outras; se o som das risadas infantis não soasse próximo, vindo do parque, ou se o próprio ambiente não inspirasse confiança. Eles diziam que nada ia machucá-la. E ela acreditou.
No fundo, tinha certeza de que não se machucaria, de que não havia nada a temer. Era “dele” de quem estavam falando, aliás. Seria estúpida se duvidasse de algo quando tudo era tão... perfeito.
A casa era maravilhosa. O piso de madeira escura contrastava com as paredes de tons claros, e os enfeites ornamentados com vidro davam um ar elegante ao aposento, juntamente com a lareira. Aconchegante.
Não havia governanta ou nenhum tipo de empregado. Entrando, ela se dirigiu à sala, imaginando onde o cômodo estaria. Andava devagar, esperando fazer uma surpresa. E ignorando as regras de etiqueta. Não importava. Afinal, ela tinha privilégios, não tinha? Não faria mal algum apenas entrar e dizer “olá”.
Sons estranhos se faziam ouvir. A voz dele e uma desconhecida. Feminina. Grave. Parecia transbordar elegância, malícia, astúcia. Aproximando-se o mais silenciosamente possível, pôde posicionar-se de forma a ver e não ser vista. Um sofá negro, virado para a janela que ocupava toda uma parede, quase ziguezagueava no centro da sala. Dois corpos estavam jogados sobre ele, e uma cabeça jogada para trás saboreava o prazer do som das próprias gargalhadas. Lábios vermelhos, cabelos de fogo. Ele acompanhava elegantemente as risadas, agitando seu copo de vinho.
Naturalmente, só havia uma coisa a pensar da cena. Do modo com que os olhos se cruzaram. Do toque das unhas afiadas e negras dela no braço dele. Era demais.
No ímpeto de ir embora, tropeçou nos próprios pés. Queria agarrar algo. Caiu em cima de uma mesinha. O eco do aquário quebrando foi ensurdecedor. Um peixe começou a se contorcer no chão, procurando, gritando por água.
Silêncio.
Três pares de olhos surpresos se encararam. Três pensamentos distintos. E o silêncio.
Não era para acabar assim, era?
O dia seguinte foi um inferno no oceano. Água salgada até os pulmões, respiração ofegante, e a sensação de estar flutuando no nada, esperando ser resgatada. O silêncio ainda ecoava em sua mente. Seus próprios passos correndo casa afora. Nenhum chamado de volta, nenhum som. Somente a perplexidade. E a vergonha.
Não sabia mais o que fazer ou dizer. Não podia aparecer lá de novo. Não depois daquilo. Não queria esperar uma ligação, mas não sairia de casa. O sofá foi seu único companheiro durante o dia, onde, abraçada com uma almofada, pôde passar o dia em frente a televisão, amaldiçoando as lágrimas que caíam de seus olhos muito verdes, escorrendo pelo rosto.
Quando o telefone tocou, não se atreveu a acreditar. Atendeu-o, cautelosa, a voz trêmula, o coração na mão.
— Alô?
Não era ele. Bem, é claro que não. O que a surpreendeu foi que era sua melhor amiga, lembrando-se dela depois de... três semanas? Ficara tanto tempo isolada, esperando por ele? Mas sua melhor amiga lembrava dela.
Convidava-a para sua casa. Queria que conhecesse seu noivo, seu amor. Havia encontrado seu par perfeito, e queria a amiga por perto, para aprová-lo ou não.
Levou um tempo para ser convencida. Não estava realmente com humor de conhecer o príncipe da amiga enquanto ela mesma perdera o seu, talvez para sempre. Mas acabou concordando, afinal era sua melhor amiga. Marcaram o encontro para o dia seguinte, embora a dona dos olhos verdes ainda tivesse suas dúvidas se estaria viva até lá. Ao desligar o telefone, voltou à sua almofada.
Sentia-se como um vegetal. Não fazia nada além de ficar deitada o dia todo, evitando ao máximo levantar-se, fosse qual fosse o motivo. Apenas quando anoiteceu imaginou que teria forças. Entretanto, seu máximo foi chegar à casa, onde ela aninhou-se como uma bola, esperando que o mundo a engolisse. Jogou um travesseiro na cara, quase apertando-o contra o rosto, querendo morrer.
Depressão. A maldita depressão.
Quando a campainha tocou, sua primeira tentação foi fingir que não escutava até que a pessoa fosse embora. No entanto, quem quer que fosse, era insistente. Com um suspiro, levantou-se e, ao abrir a porta, deparou-se com a pessoa que esperava ver, embora houvesse algo estranhamente errado: a não ser que estivesse muito enganada, sua amiga não era dona de grandes lábios vermelhos, e aquele ao seu lado não podia ser ele. Com certeza que não.
Contudo, nunca fora de se enganar; ao menos não desta forma. Eram os mesmos olhos, as mesmas atitudes. Atordoada, boquiabriu-se. E tudo escureceu.
Ao acordar, esperou por um momento. Queria acordar, mas tinha medo de descobrir que não passara apenas de um sonho. Quer dizer, sua melhor amiga e o homem de sua vida? Quão clichê e sofrido era isto? Além de ser muito para sua cabeça. Porém, a primeira coisa que viu ao abrir os olhos, foram os olhos dele. Sentou-se tão rapidamente que ele se afastou. Os olhos verdes grudados nos castanhos.
O silêncio que se estendeu não durou mais do que apenas alguns segundos. A injúria e a decepção pegavam fogo nos olhos verdes, enquanto os olhos castanhos apenas refletiam a confusão pura, inocente, perfeita demais.
— Você está bem? Está pálida — ele disse, a voz cautelosa e o olhar preocupado.
Ela não conseguiu responder. Não enquanto todas as palavras se misturavam em sua garganta, injúrias e declarações, perguntas e desabafo. Só pôde encará-lo quando se perguntou onde estava sua melhor amiga; ela tinha que ser avisada. E como ele podia ser tão cínico? Será que realmente fingiria que nunca tiveram nada?
Logo os cabelos cor de fogo inundaram a sala. As unhas cor de noite sem luar carregavam uma pequena bandeja que transbordava com seus biscoitos favoritos. Os lábios vermelhos se curvaram para cima ao ver os olhos verdes abertos, encarando-a.
— Já se conheceram, então? Fico feliz de saber disso. Me desculpe por ter chegado tão mais cedo do que o combinado, mas...
Ela não parava de falar. Os olhos verdes observavam os lábios vermelhos se mexerem, mas não ouvia som algum. O motivo lhe passou despercebido, não estava escutando. Olhava de um para outro, de azul para castanho, perguntando-se o que diabos estava havendo.
— Ems?
Seu apelido prendeu sua atenção. Agora eram os olhos verdes nos azuis travando uma luta silenciosa e amigável. Quem falaria primeiro? Os olhos verdes teriam coragem de contar? E os azuis continuariam preocupados?
— Sim?
Tentava dizer-lhe, sem falar. Ele não deveria estar por perto, pois negar é a coisa mais fácil do mundo. Mas como sequer colocar em palavras? “O seu noivo e eu estamos juntos” não é exatamente um bom início da verdade.
— O que ele está fazendo aqui?
Talvez não fosse realmente a hora de ser discreta. Os olhos verdes evitavam olhar para os castanhos, que se tornaram indignados, e continuaram presos aos azuis, que passaram de confusos a preocupados. Cada qual a dois metros de distância, despejavam as palavras entre si, que flutuavam tempo o suficiente para fazerem sentido. Eram sussurros baixos, cautelosos.
— O que quer dizer com isso?
Perguntas atrás de perguntas, nenhuma delas respondida de verdade. Parecia um jogo, uma brincadeira que poderia durar horas. Não havia realmente tempo para isso, havia?
— O que ele está fazendo aqui? Este homem — repetiu, recusando-se a apontar, olhar ou fazer qualquer movimento dirigido ao homem de sua vida.
Desta vez, a troca de olhares foi feita entre o azul e o castanho, enquanto o verde continuava fixo, vidrado. Pensava em tudo, menos na resposta óbvia. Não queria a verdade, não mesmo.
— É o meu noivo.
— Não.
A resposta veio rápida. Parecia estar na ponta da língua, preparando-se para saltar. E o fez com uma rapidez tão súbita que o azul se assustou, dando um passo para trás. Como se açoitada pela verdade.
Porque o que os olhos azuis disseram não era verdade. Não podia ser. Contudo, a expressão nos olhos azuis não podia ser mais séria e honesta quando ignorou o corte e voltou o olhar para os castanhos, voltando logo em seguida para os verdes.
— Ems, este é Dylan Williams, meu noivo. Dylan, está é Emily Johnson, minha melhor amiga. Ignore suas atitudes; ela deve estar drogada, ou bêbada.
A última frase foi lançada aos olhos verdes com uma amargura visível. Mas estes não ligaram.
— Eu sei quem ele é.
A mão estendida dele caiu devagarinho ao receber a resposta. Ele tomava uma expressão intrigada, ofendida, confusa. Um silêncio aparecia, intruso, de tempos em tempos, tomando conta da situação estranha, constrangedora.
— Já nos conhecemos?
— Como pode dizer isso? Depois de tudo o que houve entre nós!
Verde e castanho se encararam novamente. O azul olhava de um a outro. A perplexidade dos três atingiu seu ponto máximo. Chegava a hora da ruptura.
— Eu nunca te vi antes.
— Está mentindo.
Como ele podia? Mentir desta forma, em sua frente? Nada mais estava fazendo sentido. Três pares de olhos, três pensamentos distintos. E foi só quando a dona dos olhos verdes percebeu o que acontecera. Era assombroso demais, e havia de ser dito em voz alta.
— Duas noites atrás. Passei na casa dele. Você estava lá, Georgie. Quebrei um aquário... era você.
— Eu não estive na casa dele duas noites atrás, Ems.
— E nem você.
Algo parecia estar tremendamente errado. E girando. Era a casa, era ela mesma. Tonta, não conseguia respirar. Porque todos estavam mentindo. Estendeu a mão, tinha que agarrar algo, segurar-se. Havia um buraco no chão, não havia? Cairia nele.
Tão rápido quanto começou, tudo acabou. Achava-se deitada na cama, sozinha. Esperou um momento e se levantou. Procurou nos quartos, na cozinha na sala, em todos os aposentos. Nada, nada, nada. Nada.
Deviam tê-la deixado sozinha quando começou a cair. Por que fizeram isso? Não podiam tê-la ajudado ao invés de correrem? E não haviam terminado a conversa, haviam? Começou a ficar irritada, muito irritada. Pegando o telefone, discou para os olhos azuis.
— Alô?
— Georgie, por que vocês foram embora?
— Embora da onde?
— Você e seu noivo. Foram embora daqui.
— Hoje?
— É claro.
— Ems, eu não tenho noivo. E eu não estive aí; não nos falamos por três semanas, não é?
— Mentira.
Sua mão tremia novamente, e a irritação voltava a subir-lhe o peito.
— Mentira — repetiu, deixando o fone escorregar de sua mão. Continuou repetindo a palavra, quase berrava, já esquecida do telefone. — São todos mentirosos, querendo me enlouquecer. Mentirosos! Mentirosos! MENTIROSOS!
— Ems? EMS?
Mas os olhos verdes já não escutavam. Estavam novamente vidrados. As mãos agarravam tudo o que viam pela frente, jogavam no chão. A casa estava sendo destruída por uma conhecida enlouquecida. Vidros quebrados rasgavam sua pele, e desta jorrava sangue brilhante. Nâo satisfeita em destruir a casa, quis destruir a si própria, bradando injúrias. O som viajava até o telefone, onde sua melhor amiga desligava e discava um outro número.
— Querem me enlouquecer! Me enlouquecer!
Mas já estava louca. Não sabia o que acontecera, sonho ou realidade?: Mentiras ou verdades? Ele a amava ou a sua amiga? Estava mesmo noivos, e já haviam se conhecido quando passaram a noite juntos? Por que ele mentira? O que estava acontecendo?
Logo, uma van branca apareceu, soando sua sirene.
A sala era quadrada e pequena. Se não fosse pela pequena lâmpada ao teto, estaria completamente escura. Uma espécie de janela a encarava da outra ponta da sala, onde ela podia ver a si mesma. Seus braços acorrentados à cadeira. Seus cabelos bagunçados em volta do rosto, arranhados em sua pele e os olhos queimando, enigmáticos, calmos e assustadores.
A porta se abriu, e um homem vestindo um avental branco apareceu. Ele tinha um ar exatamente igual aos homens que saíram da van. Seu rosto, no entanto, era mais gentil e inspirava confiança. Sentando-se em frente à menina dos olhos verdes, pousou uma pequena ficha na mesa entre eles, não deixando que seus olhos deixassem os dela.
— Emily Johnson?
Ela assentiu minimamente.
— Sou o doutor Erik Richards. Sabe por que está aqui?
Um sorriso psicótico. Negou.
— Recebemos uma ligação de sua amiga, Georgina Wilson. Ela nos disse que você estava descontrolada, atirando objetos pela casa, e berrando. Pode nos dizer por que fez isso? Se nos der uma resposta que mostre que está completamente sã, pode ir embora.
Silêncio. Suspiro.
— Senhorita Johnson, se não vai nos ajudar, receio que terá de voltar à sala branca, onde estava até agora. Sozinha, e amarrada.
Ele se preparava para pegar um pequeno walkie-talkie do bolso, quando a dona dos olhos verdes se inclinou o máximo que pôde sobre a mesa, com aquele sorriso ainda estampado em seu rosto. Seu hálito quente percorreu os traços do homem que se encontrava a centímetros dela.
— Já teve um sonho, Doutor Richards, que você tinha a certeza de que era real? E se você não conseguisse acordar desse sonho? Como saberia a diferença entre o sonho e o mundo real?
... e terminou em um hospício.
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