Por mais que eu tentasse, não conseguia voltar á realidade. Eu estava presa, presa em meus pensamentos, em minhas fantasias. A realidade já não me importava mais; meus pensamentos se transformavam em minha realidade, numa prisão. Uma prisão maravilhosa e bem-vinda, me isolando do mundo real.
Perco minutos de aula, presa em minhas ilusões. De má vontade, volto a olhar as coisas que acontecem, com mais atenção. Mas meus pensamentos são como uma neblina venenosa, que se aproxima vagarosamente, até me consumir por completo, novamente.
Pareço-me com um rádio, entrando e saindo de sintonia com os outros. Apesar disso, ainda estou parada no mesmo lugar. Minha mente que vagueia, procurando imagens interessantes para impregnar em meus olhos e me deixar ausente do que acontece em minha volta por alguns minutos.
De vez em quando sou tirada de minhas fantasias de modo brusco, como um grito, ou um cutucão. O bom é saber que faço falta quando fico quieta por muito tempo. O ruim é que a parte criativa do meu cérebro grita em protesto pela interrupção. Eu tento calá-la, ou ignorá-la, mas é quase impossível, pois tal parte de meu cérebro é uma grande parte. Por fim, eu só escuto, derrotada.
Quando estou sozinha, é um alivio, parece um sonho. A neblina me toma por completo e eu me entrego a ela, sem me preocupar. Desejo que tal momento de paz nunca acabe, pois esses eram os momentos mais felizes de minha vida.
Mas sonhar acordada acaba cansando. Ao voltar para a cama, para poder dormir, olhei para a parede, escura por conta da falta de luz. As imagens que vieram em minha mente neste dia, parecem dançar no escuro, zombando de mim. Ou sorrindo para mim, não sei dizer.
Ao fechar os olhos e dormir um sono profundo, mais fantasias o invadem, criando outras imagens para ocupar meu próximo dia.
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